Eclipse Lunar de 28 de Agosto de 2026 em Portugal

Lunar eclipse 2026: phase times and moonset, city by city

O eclipse lunar de 28 de agosto de 2026 vê-se de todo o país: a fase parcial vai das 03:34 às 06:52 no continente, o máximo é às 05:13 e 93% da Lua fica dentro da sombra da Terra. Aqui tem as horas de cada fase, o pôr da Lua em 22 cidades, para onde olhar e porque não precisa de óculos nenhuns.

·ATUALIZADO AGOSTO 2026·6 MIN·FONTES OFICIAIS
EM RESUMO
Quando
Madrugada de sexta-feira, 28 de agosto de 2026
No continente
Fase parcial das 03:34 às 06:52, máximo às 05:13
Profundidade
93% do diâmetro da Lua dentro da sombra da Terra
Proteção
Nenhuma: olhar para a Lua é sempre seguro
MADRUGADA DE SEXTA-FEIRA, 28 DE AGOSTO DE 2026
MÁXIMO DO ECLIPSE ÀS
05:13
PENUMBRA02:24
PARCIAL COMEÇA03:34
PARCIAL TERMINA06:52
PÔR DA LUA07:09
No máximo, a Lua está a cerca de ~20° de altura, a sudoeste, a descer. Escolha um sítio sem nada a tapar o oeste-sudoeste.
Um eclipse lunar é completamente seguro de observar a olho nu, com binóculos ou telescópio. Os óculos de eclipse são para o Sol; aqui não servem para nada.

Como funciona

Duas semanas depois do eclipse solar, Portugal tem a segunda metade do par: na madrugada de sexta-feira, 28 de agosto de 2026, a Lua cheia atravessa a sombra da Terra e fica com 93% do diâmetro às escuras. Vê-se de todo o país, a olho nu, sem qualquer proteção. Eis o que acontece, hora a hora.

  1. 1
    A Lua entra na penumbra (02:24)
    A Terra tem duas sombras: a penumbra, difusa, e a umbra, escura. Às 02:24 (hora do continente; 01:24 nos Açores) a Lua entra na penumbra. Durante a primeira meia hora praticamente não se nota nada; depois, um dos bordos da Lua cheia começa a parecer «sujo», como se tivesse levado com fumo.
  2. 2
    A sombra começa a morder (03:34)
    Às 03:34 começa a fase parcial: o bordo escuro e curvo da umbra avança sobre o disco lunar. É a partir daqui que vale a pena estar a olhar. A Lua está a sudoeste, ainda razoavelmente alta, e vai descendo ao longo da noite.
  3. 3
    O máximo: 05:13, com 93% na sombra
    No máximo, às 05:13 (04:13 nos Açores), 93% do diâmetro da Lua está dentro da umbra. Só resta um bordo brilhante; o resto do disco ganha o tom avermelhado e acobreado típico dos eclipses, a luz de todos os nasceres e pores do sol da Terra a ser filtrada pela atmosfera. No continente, a Lua está a cerca de 17 a 20 graus de altura, a sudoeste.
  4. 4
    O fim, rente ao horizonte (06:52)
    A umbra larga a Lua às 06:52, já com o céu a clarear e a Lua a 1 a 3 graus do horizonte oeste no continente. Minutos depois, entre as 06:56 (Bragança) e as 07:09 (Lisboa), a Lua põe-se ainda dentro da penumbra. Na Madeira e sobretudo nos Açores, mais a oeste, o fim vê-se com folga.

Pôr da Lua e visibilidade nas 22 cidades

As fases acontecem no mesmo instante em todo o lado (continente e Madeira às 03:34, 05:13 e 06:52; Açores uma hora mais cedo no relógio). O que decide quanto se vê é o pôr da Lua: quanto mais a oeste, mais tarde a Lua desce e mais se apanha do fim.

CIDADELUA NO MÁXIMOPÔR DA LUAFIM DA FASE PARCIAL
Lisboa~20°07:09visível, Lua muito baixa
Porto~18°07:04rente ao horizonte
Aveiro~18°07:05rente ao horizonte
Beja~19°07:05rente ao horizonte
Braga~18°07:03rente ao horizonte
Bragança~17°06:56rente ao horizonte
Castelo Branco~18°07:01rente ao horizonte
Coimbra~19°07:05rente ao horizonte
Évora~19°07:04rente ao horizonte
Faro~20°07:06visível, Lua muito baixa
Guarda~18°07:00rente ao horizonte
Leiria~19°07:07visível, Lua muito baixa
Portalegre~18°07:02rente ao horizonte
Portimão~20°07:09visível, Lua muito baixa
Santarém~19°07:07visível, Lua muito baixa
Setúbal~20°07:09visível, Lua muito baixa
Viana do Castelo~18°07:05rente ao horizonte
Vila Real~18°07:01rente ao horizonte
Viseu~18°07:02rente ao horizonte
Funchal (Madeira)~28°07:48visível, Lua muito baixa
Ponta Delgada (Açores)~31°07:20vê tudo, até ao fim da penumbra
Angra do Heroísmo (Açores)~31°07:25vê tudo, até ao fim da penumbra

As horas dos Açores são locais (UTC+0). «Rente ao horizonte» significa a Lua a menos de 2 graus de altura quando a umbra a larga, às 06:52; não perde o espetáculo principal, que acontece bem mais acima.

Onde observar: a costa oeste ganha

Este é o raro eclipse em que a geografia de Portugal faz o trabalho por si. A Lua desce para oeste-sudoeste durante todo o evento, por isso qualquer sítio com horizonte de mar desimpedido permite seguir a Lua avermelhada até tocar na água: Cabo da Roca, Cabo Espichel, as praias da Caparica e da Comporta, as arribas da Costa Vicentina ou qualquer miradouro virado a poente. No interior, procure um ponto alto com o lado oeste aberto; nos vales do nordeste a Lua esconde-se atrás das serras um pouco antes do que as tabelas indicam. E como tudo acontece entre as 3 e as 7 da manhã, não há multidões nem trânsito: ponha o despertador para as 04:45, apanhe o máximo às 05:13 e fique para o fim se o seu horizonte o permitir.

  • Não precisa de equipamento: a olho nu chega. Uns binóculos (quaisquer 7×50 ou 10×50) transformam o bordo da sombra e os tons vermelhos numa experiência completamente diferente.
  • Fotografia: um telemóvel num tripé pequeno, em modo noturno, apanha surpreendentemente bem a Lua eclipsada e baixa, sobretudo com primeiro plano (mar, um farol, uma serra). Sem filtro, nunca: não há nada de brilhante para filtrar.
  • Leve um casaco: mesmo em agosto, as 5 da manhã junto à costa são frescas, e a nortada pode soprar.

Porque é que a Lua fica vermelha

Dentro da umbra, nenhuma luz direta do Sol chega à Lua. A única luz que lá chega roçou o bordo do nosso planeta e foi dobrada para dentro pela atmosfera, que dispersa os azuis e deixa passar os vermelhos: a mesma física que pinta os pores do sol. Um astronauta em pé na Lua eclipsada veria a Terra como um disco negro rodeado de um anel fino e incandescente, todos os nasceres e pores do sol do planeta ao mesmo tempo. O quão vermelha fica vista daqui de baixo depende da poeira e das nuvens que a atmosfera carrega nessa época; depois de grandes erupções vulcânicas, os eclipses ficam cor de tijolo escuro ou quase desaparecem.

Perguntas frequentes

A que horas é o eclipse lunar de 28 de agosto de 2026 em Portugal?
O eclipse lunar acontece na madrugada de quinta para sexta-feira, 27 para 28 de agosto de 2026. No continente e na Madeira: a fase parcial começa às 03:34, o máximo é às 05:13 e a fase parcial termina às 06:52, mesmo antes de a Lua se pôr. Nos Açores, uma hora mais cedo no relógio local: parcial às 02:34, máximo às 04:13, fim às 05:52. Ao contrário de um eclipse solar, as horas são as mesmas em todo o lado; o que muda de cidade para cidade é a hora a que a Lua se põe.
Preciso de óculos especiais para ver um eclipse lunar?
Não. Um eclipse lunar é apenas a Lua a passar pela sombra da Terra: olhar para ela é tão seguro como olhar para a Lua cheia em qualquer outra noite. Não precisa de óculos, filtros nem equipamento. Uns binóculos simples melhoram muito o espetáculo, e pode usá-los à vontade. Os óculos certificados são obrigatórios para eclipses do Sol, como o de 12 de agosto; aqui não têm qualquer utilidade.
A Lua vai ficar vermelha? É uma «Lua de Sangue»?
Quase. Este é um eclipse parcial muito profundo: no máximo, 93% do diâmetro da Lua está dentro da umbra, a sombra escura da Terra. Essa parte ganha o tom avermelhado ou acobreado das «Luas de Sangue», porque a única luz que lá chega é a que a atmosfera da Terra filtra e dobra. Mas fica sempre um bordo brilhante de fora, pelo que não é tecnicamente um eclipse total. Na prática, o contraste entre a fatia brilhante e o disco vermelho é dos espetáculos mais bonitos que um eclipse parcial pode dar.
Para onde devo olhar?
Para sudoeste, e cada vez mais baixo. Quando a fase parcial começa (03:34), a Lua está a uns 30 graus de altura; no máximo (05:13) está a 17 a 20 graus no continente; no fim (06:52) está praticamente no horizonte oeste. Escolha um sítio com o horizonte oeste-sudoeste completamente livre: sem prédios, serras ou árvores. Na costa ocidental, a Lua eclipsada põe-se sobre o mar, o que torna praias e arribas viradas a poente os melhores lugares do país.
Vê-se igual em todo o país?
O eclipse é o mesmo, mas o fim não. No litoral oeste e no sul (Lisboa, Setúbal, Leiria, Santarém, Faro, Portimão), a Lua ainda está 2 a 3 graus acima do horizonte quando a fase parcial termina. No interior e no nordeste (Bragança, Guarda, Vila Real), esse fim acontece com a Lua praticamente colada ao horizonte e perde-se na bruma e no crepúsculo. A Madeira vê a fase parcial toda com folga, e os Açores, mais a oeste e uma hora atrás, são o único sítio do país que vê o eclipse completo, incluindo a saída da penumbra.
E se estiver nublado?
Ao contrário de um eclipse solar, não há escurecimento para «sentir»: com nuvens fechadas, simplesmente não se vê. A boa notícia é que agosto tem das noites mais limpas do ano em Portugal, sobretudo no interior e no sul. Se a previsão estiver má no litoral (a nortada empurra nuvens baixas para a costa noroeste), vale a pena conduzir para o interior. Vários observatórios e canais de astronomia costumam transmitir eclipses em direto online, e a próxima oportunidade em Portugal é já em janeiro de 2028.
Porquê um eclipse lunar duas semanas depois do eclipse solar?
Não é coincidência: os eclipses andam aos pares. Só há eclipses quando a Lua cruza o plano da órbita da Terra perto da lua nova ou da lua cheia, e isso acontece em «épocas de eclipses» de cerca de um mês, duas vezes por ano. O eclipse solar de 12 de agosto (lua nova) e este eclipse lunar de 28 de agosto (lua cheia) pertencem à mesma época. Quem viu o primeiro tem agora a segunda metade do par.
Quando é o próximo eclipse lunar visível de Portugal?
O próximo eclipse lunar parcial visível de Portugal é na noite de 11 para 12 de janeiro de 2028. E vale a pena marcar na agenda o seguinte: na noite de passagem de ano de 2028 para 2029 (31 de dezembro de 2028), há um eclipse lunar total visível da Europa, com cerca de 1 hora e 12 minutos de totalidade: uma verdadeira «Lua de Sangue» para acompanhar as doze badaladas.
FONTES OFICIAIS
AVISO
As horas das fases são hora local (continente e Madeira UTC+1; Açores UTC+0), arredondadas ao minuto, e são as mesmas em todo o território; o pôr da Lua e a altura variam de cidade para cidade e foram calculados com as efemérides DE421 (JPL) e verificados com timeanddate.com e theskylive.com. A magnitude umbral é 0,93: a fração do diâmetro lunar dentro da umbra no máximo. Ao contrário de um eclipse solar, observar um eclipse lunar não exige qualquer proteção ocular.