Como funciona
Portugal continental viu um eclipse parcial muito profundo ao fim da tarde de quarta-feira, 12 de agosto de 2026: entre 92% e 99,9% do Sol coberto, com o Sol já baixo, a caminho do pôr do sol. Foi o eclipse mais profundo visível de Portugal desde 1912. Esta página fica como registo de referência: eis o que aconteceu, passo a passo, e onde ver os próximos.
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A Lua começa a cobrir o Sol (18:34 a 18:43)
No continente, o primeiro «toque» acontece entre as 18:34 (Braga, Bragança, Viana do Castelo) e as 18:43 (Faro). Na Madeira às 18:50 e nos Açores por volta das 17:35 (hora local dos Açores, UTC+0). Durante a primeira meia hora quase não se nota a olho nu: por isso tanta gente se deixa apanhar a olhar diretamente, o que é perigoso desde o primeiro minuto.
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O máximo: entre as 19:31 e as 19:39
No ponto máximo, a Lua cobre entre 92,4% (Portimão) e 99,9% (Bragança) do disco solar no continente, cerca de 77% na Madeira e 76% nos Açores. A luz fica estranha e acinzentada, a temperatura desce e os pássaros calam-se. Mesmo assim, a fatia de Sol que resta continua a ser perigosa para os olhos.
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No Sul, o Sol põe-se ainda eclipsado
Em Castelo Branco, Portalegre, Évora, Setúbal, Beja, Faro e Portimão, o Sol põe-se antes de a Lua sair completamente do disco: o eclipse não chega a terminar acima do horizonte. É um pôr do sol «mordido», raro de ver, mas exige um horizonte oeste completamente livre.
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Em Espanha, a noite cai por um minuto
A faixa de totalidade atravessa o norte de Espanha entre as 20:26 e as 20:32 (hora de Espanha, mais 1 hora do que em Portugal continental). Aí, sim, a Lua tapa o Sol a 100%: fica escuro, veem-se estrelas e a coroa solar. É o primeiro eclipse total em Espanha continental desde 1905 e em Portugal continental desde 1912.
Horários e percentagem nas 22 cidades
Todas as capitais de distrito mais a Madeira e os Açores, por ordem de percentagem do Sol coberta. As horas são locais; os Açores estão 1 hora atrás do continente. Onde a coluna do fim diz «ao pôr do sol», o Sol desaparece antes de o eclipse terminar.
| CIDADE | SOL COBERTO | INÍCIO | MÁXIMO | FIM | PÔR DO SOL |
|---|
| Bragança | 99,9% | 18:34 | 19:31 | 20:24 | 20:31 |
| Vila Real | 99,0% | 18:35 | 19:32 | 20:25 | 20:34 |
| Braga | 98,8% | 18:34 | 19:31 | 20:25 | 20:37 |
| Viana do Castelo | 98,7% | 18:34 | 19:31 | 20:25 | 20:39 |
| Guarda | 98,3% | 18:36 | 19:33 | 20:26 | 20:30 |
| Porto | 98,2% | 18:35 | 19:32 | 20:25 | 20:37 |
| Viseu | 98,1% | 18:36 | 19:33 | 20:26 | 20:33 |
| Aveiro | 97,6% | 18:36 | 19:33 | 20:26 | 20:36 |
| Castelo Branco | 97,2% | 18:38 | 19:34 | ao pôr do sol | 20:30 |
| Coimbra | 97,1% | 18:37 | 19:34 | 20:27 | 20:34 |
| Portalegre | 96,5% | 18:39 | 19:35 | ao pôr do sol | 20:29 |
| Leiria | 96,2% | 18:38 | 19:34 | 20:28 | 20:35 |
| Santarém | 95,6% | 18:39 | 19:35 | 20:28 | 20:34 |
| Évora | 95,1% | 18:40 | 19:36 | ao pôr do sol | 20:29 |
| Lisboa | 94,5% | 18:39 | 19:36 | 20:29 | 20:34 |
| Setúbal | 94,4% | 18:40 | 19:36 | ao pôr do sol | 20:33 |
| Beja | 94,3% | 18:41 | 19:37 | ao pôr do sol | 20:28 |
| Faro | 92,7% | 18:43 | 19:39 | ao pôr do sol | 20:27 |
| Portimão | 92,4% | 18:42 | 19:39 | ao pôr do sol | 20:29 |
| Funchal (Madeira) | 77,4% | 18:50 | 19:47 | 20:40 | 20:55 |
| Ponta Delgada (Açores) | 76,9% | 17:37 | 18:38 | 19:34 | 20:39 |
| Angra do Heroísmo (Açores) | 76,4% | 17:34 | 18:36 | 19:33 | 20:47 |
Onde ver a 100%: Montesinho e o norte de Espanha
O único pedaço de Portugal continental dentro da faixa de totalidade é uma fatia do Parque Natural de Montesinho junto às aldeias de Rio de Onor e Guadramil, a norte de Bragança: cerca de 26 segundos de eclipse total às 19:30. O acesso no próprio dia é restrito (por risco de incêndio, o programa público mudou para o aeródromo municipal de Bragança), portanto não conte em aparecer de carro à última hora. A opção confortável é Espanha, 1 hora à frente de Portugal, onde a totalidade atravessa o norte do país entre as 20:26 e as 20:32, hora local:
| CIDADE (ESPANHA) | TOTALIDADE (HORA LOCAL) | DURAÇÃO |
|---|
| A Corunha | 20:27 | 1 min 15 s |
| Oviedo | 20:27 | 1 min 48 s |
| Gijón | 20:27 | 1 min 45 s |
| Santander | 20:27 | 1 min 03 s |
| Bilbau | 20:27 | 30 s · no limite da faixa |
| Burgos | 20:28 | 1 min 45 s |
| Valladolid | 20:30 | 1 min 28 s |
| Saragoça | 20:29 | 1 min 25 s |
| Palma de Maiorca | 20:31 | 1 min 30 s · Sol a 2° do horizonte |
Do Porto ou de Braga, conte com ~3 horas de carro até A Corunha ou Lugo (a província de Lugo está toda dentro da faixa), ou ~2h40 de Braga até à zona de Valdeorras, em Ourense (O Barco de Valdeorras, até ~1 min 50 s de totalidade). Madrid e Barcelona ficam fora da faixa: 99,9% de eclipse parcial, impressionante mas sem escurecer. Um aviso que os especialistas em meteorologia de eclipses repetem: as estatísticas de nuvens de agosto favorecem o interior de Espanha (Burgos, o vale do Ebro à volta de Saragoça) face à costa cantábrica. E, em todo o lado, o Sol estará muito baixo: procure um horizonte oeste-noroeste sem nada à frente. No leste de Espanha (Saragoça, Valência, Palma) o Sol põe-se antes de a fase parcial terminar.
Onde ver em Portugal no próprio dia
A regra vale mais do que o sítio: um horizonte oeste desimpedido importa mais do que o local em si. Praias e arribas viradas a poente (Cabo da Roca, Cabo Espichel, Praia do Meco, Comporta), miradouros com vista livre para o pôr do sol ou planícies abertas servem todos. O mapa da Ciência Viva lista centenas de eventos de observação registados; alguns que vale a pena conhecer:
- Bragança, aeródromo municipal: o grande evento nacional, a partir das 16:00, com telescópios filtrados e distribuição de óculos. O eclipse mais profundo de qualquer cidade portuguesa (99,9%).
- Cabo da Roca (Sintra): o terreiro do farol abriu às 17:00, bilhete de 5 euros com óculos de eclipse incluídos, e o Atlântico como horizonte oeste.
- Zona de Lisboa, grátis: Miradouro do Alto do Penedo (Amadora) a partir das 18:00, organizado pela câmara municipal.
- Algarve, grátis: Parque Ribeirinho em Faro e Praia do Barril em Tavira, ambos a partir das 18:30, pelos centros Ciência Viva locais. Aqui o Sol põe-se ainda eclipsado, sobre o mar.
- Alentejo: Observatório do Lago Alqueva (Monsaraz) a partir das 17:45, com telescópios (20 euros, 10 para menores de 16), numa das regiões de céu mais escuro da Europa.
- Porto: Time Out Market a partir das 18:00, óculos grátis enquanto durou o stock. O próprio Planetário do Porto passa um filme imersivo durante o dia mas não faz observação no local (tem o horizonte oeste tapado).
O mapa completo, com centenas de eventos distrito a distrito, está no portal oficial: eclipse2026.pt/acoes. Muitos distribuíram óculos certificados enquanto durou o stock.
Como observar sem estragar os olhos
Uma regra, sem exceções: durante toda a fase parcial, em qualquer ponto de Portugal, olhar para o Sol exige óculos de eclipse certificados ISO 12312-2. O aviso da DGS merece ser citado porque a armadilha é real: perto do pôr do sol a luz enfraquece e «pode criar a falsa sensação de que é seguro olhar diretamente para o Sol». Não é. A radiação infravermelha e ultravioleta que queima a retina continua a passar, a queimadura não dói, e a lesão aparece horas ou dias depois. As crianças só devem observar com supervisão próxima, e bebés e crianças pequenas não devem olhar diretamente de todo, mesmo com óculos: para elas, use projeção.
- Serve: óculos ISO 12312-2 (verifique a marcação impressa e se a película está intacta); um furo de alfinete numa cartolina a projetar no chão ou numa caixa de sapatos; a sombra de um escorredor ou dos dedos entrelaçados; os crescentes projetados debaixo de uma árvore frondosa.
- Não serve: óculos de sol (mesmo vários), vidro fumado, radiografias, CDs, o ecrã do telemóvel como espelho, nuvens como «filtro». Nenhum bloqueia a radiação que interessa.
- As óticas multiplicam o perigo: nunca aponte binóculos, telescópio ou teleobjetiva ao Sol sem filtro solar próprio montado à frente. E não use os óculos de eclipse atrás de óticas sem filtro; não aguentam luz concentrada.
- Sintomas depois de observar (visão turva ou distorcida, manchas escuras, cores alteradas): ligue ao SNS 24, 808 24 24 24.
Perguntas frequentes
A que horas é o eclipse solar de 12 de agosto de 2026 em Portugal?
No continente, o eclipse começa entre as 18:34 e as 18:43, atinge o máximo entre as 19:31 e as 19:39 e termina por volta das 20:24 a 20:29 (nas cidades onde o Sol não se põe antes). Em Lisboa: início 18:39, máximo 19:36. No Porto: início 18:35, máximo 19:32. Na Madeira o máximo é às 19:47; nos Açores às 18:36 a 18:38, hora local dos Açores. Escolha a sua cidade na ferramenta acima para ver os horários exatos.
O eclipse de 2026 é total em Portugal?
Quase. A faixa de totalidade só toca Portugal continental numa estreita fatia do Parque Natural de Montesinho, junto a Rio de Onor e Guadramil (concelho de Bragança), onde a totalidade dura cerca de 26 segundos, às 19:30. No resto do país é um eclipse parcial muito profundo: 99,9% em Bragança cidade, 98,2% no Porto, 94,5% em Lisboa, 92,7% em Faro. Atenção: 99% não é 100%. Só dentro da faixa de totalidade se pode olhar sem proteção, e apenas durante esses segundos.
Posso ver o eclipse com óculos de sol escuros?
Não. A DGS (Direção-Geral da Saúde) é explícita: óculos de sol comuns, lentes escuras, radiografias, vidros fumados ou qualquer material improvisado não protegem. Perto do pôr do sol, a luminosidade mais baixa «pode criar a falsa sensação de que é seguro olhar diretamente para o Sol», mas a radiação que queima a retina continua a passar. As lesões podem aparecer horas ou dias depois, sem dor no momento. Use apenas óculos certificados ISO 12312-2. Se notar visão turva, manchas escuras ou perda de visão depois de observar, ligue ao SNS 24: 808 24 24 24.
Onde comprar óculos de eclipse certificados em Portugal?
Procure a marcação «ISO 12312-2» impressa nos óculos. Em agosto de 2026 há várias opções: farmácias e óticas (a rede Club da Visão distribui gratuitamente mediante registo, enquanto houver stock), supermercados ALDI (cerca de 1 euro), lojas de astronomia online e os centros Ciência Viva e planetários, que distribuem em muitos eventos de observação. Sem óculos, use projeção: um furo de alfinete numa cartolina projeta a imagem do Sol no chão ou numa caixa de sapatos, de costas para o Sol. Nunca olhe através do furo.
Onde ver o eclipse a 100%? Vale a pena ir a Espanha?
A faixa de totalidade atravessa o norte de Espanha: Galiza (A Corunha, Lugo), Astúrias (Oviedo, Gijón), Cantábria, Burgos, Valladolid, Saragoça, Valência e Palma de Maiorca, entre as 20:26 e as 20:32, hora de Espanha. Madrid e Barcelona ficam fora (99,9%, parcial). Do Porto ou de Braga, a totalidade «confortável» mais próxima fica a cerca de 3 horas de carro (Lugo, A Corunha, ou a zona de Valdeorras em Ourense, a ~2h40 de Braga). A meteorologia favorece o interior (Burgos, vale do Ebro) face à costa cantábrica, onde há mais nuvens em agosto. Com o Sol tão baixo, escolha um sítio com horizonte oeste-noroeste totalmente livre.
E se estiver nublado no dia 12?
Com o Sol a apenas 8 a 12 graus de altura, bastava uma faixa de nuvens junto ao horizonte para tapar tudo, mesmo com céu limpo por cima. Em agosto, o litoral tem mais risco de nortada e nebulosidade ao fim da tarde do que o interior: quem ficou com o céu tapado no litoral e conduziu para o interior teve mais sorte. Mesmo com nuvens, o escurecimento notava-se na mesma, e a Ciência Viva e a RTP transmitiram o eclipse em direto a partir de Bragança.
Posso fotografar o eclipse com o telemóvel?
Só com um filtro solar à frente da lente, durante toda a fase parcial: sem filtro arrisca danificar o sensor da câmara, além dos olhos se estiver a enquadrar diretamente. Um truque barato: recorte uma lente de uns óculos de eclipse certificados e prenda-a com fita sobre a câmara do telemóvel. Nunca aponte binóculos, teleobjetivas ou telescópios ao Sol sem filtro solar próprio na frente: concentram a luz e queimam a retina num instante.
Quando é o próximo eclipse solar visível em Portugal?
O próximo espetáculo é já a 28 de agosto de 2026, mas é da Lua: um eclipse lunar parcial muito profundo, visível de todo o país de madrugada, sem precisar de óculos. Quanto ao Sol: a 2 de agosto de 2027 há outro eclipse total, de manhã, com totalidade no extremo sul de Espanha (Cádis, Málaga, Ceuta) e parcial em Portugal. E a 26 de janeiro de 2028, um eclipse anular (o «anel de fogo») atravessa o Algarve e a Madeira ao fim da tarde. Já a próxima totalidade em território português só chega a 26 de outubro de 2144, nos Açores. É por isso que o de 2026 foi especial: o último total em Portugal continental tinha sido em 1912.
AVISO
Os horários são hora local para o centro de cada cidade, arredondados ao minuto; a uns quilómetros de distância variam ligeiramente. As percentagens indicam a fração da área do disco solar coberta no máximo (obscurecimento), calculadas por timeanddate.com e theskylive.com e cruzadas com o portal oficial eclipse2026.pt. Nunca olhe para o Sol sem óculos certificados ISO 12312-2: nem eclipsado, nem baixo, nem através de nuvens. Esta página é informativa e não substitui as recomendações da DGS. Confirme horários e lotação dos eventos junto dos organizadores.